Quem Perde é a População
ESTADÃO
A atual parceria do Ministério da Saúde (MS) com o Ministério da Educação (MEC) para gerir os rumos da residência médica tem características puramente ideológicas, como ficou evidente na reportagem Proposta vincula residência ao SUS (8/7, A16). Ao tornar o MEC refém do MS, deixa as decisões sob responsabilidade de tecnocratas como o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Francisco Campos, que desconhece inteiramente a realidade da medicina brasileira. Sua postura, é evidente, é buscar nos médicos residentes mão-de-obra barata, em vez de qualificá-los para uma assistência de qualidade à população. O povo brasileiro não merece uma medicina de segunda, como desejam oferecer alguns bacharéis em medicina, e não médicos, que ousam interferir na educação médica. Os cidadãos menos favorecidos têm direito a saúde de qualidade, e é por isso que nos devemos opor a idéias tresloucadas do atual MS. Quem, de fato, conhece a medicina e o ensino médico precisa denunciar os absurdos, com o intuito de garantir atendimento digno à população. A residência médica e a sociedade merecem respeito.
Antonio Carlos Lopes
Professor-titular de Clínica Médica da Unifesp/EPM, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica e ex-secretário-executivo da Comissão Nacional de Residência Médica/MEC



